Pneumotórax espontâneo catamenial no período menstrual

Letícia Lauricella • February 18, 2026

O pneumotorax catamenial é uma condição rara que ocorre em mulheres em idade reprodutiva e está diretamente relacionada ao ciclo menstrual. Embora seja incomum, esse tipo de pneumotórax exige investigação cuidadosa, pois pode estar associado à endometriose torácica, uma forma de endometriose que atinge o tórax. 


Neste artigo você vai entender como a condição se manifesta, por que ela ocorre, como é diagnosticada e quais são as opções de tratamento.
Continue a leitura para esclarecer suas dúvidas e entender quando é importante procurar um especialista.


O que é o pneumotorax catamenial?


O pneumotorax catamenial é um tipo específico de pneumotórax que acontece em um intervalo de até
72 horas antes ou depois do início da menstruação. ​​Entre mulheres jovens que apresentam pneumotórax espontâneo, estima-se que cerca de 5% a 10% dos casos estejam relacionados ao ciclo menstrual — o chamado pneumotórax catamenial — embora essa proporção pareça ser  ainda maior em séries de casos de centros especializados em endometriose.”


Essa condição tem relação direta com a
endometriose torácica, que pode atingir o diafragma, a pleura e, em situações menos comuns, o próprio pulmão.


Assista:



Características principais


O pneumotórax catamenial atinge predominantemente o
lado direito do tórax, costuma se repetir em vários ciclos menstruais, pode vir acompanhado de dor torácica que se intensifica próximo da menstruação, além disso, afeta principalmente mulheres entre 20 e 40 anos.


Por que o pneumotorax catamenial ocorre?


Embora já bem descrito na literatura médica, o pneumotorax catamenial ainda não tem um mecanismo único e completamente definido. As explicações mais aceitas envolvem alterações hormonais, características anatômicas e a presença de tecido semelhante ao endométrio na cavidade torácica.


Teoria da endometriose torácica


É a hipótese mais forte. Um tecido semelhante ao endometrial pode se
implantar no diafragma ou na pleura. Durante a menstruação, esse tecido responde aos hormônios da mesma forma que aconteceria no útero, o que pode gerar micro lesões e permitir a entrada de ar no espaço pleural.


A endometriose extrapelviana, apesar de rara, pode acometer o tórax em até um por cento das pessoas com endometriose.


Assista:




Teoria hormonal


As
variações hormonais típicas do ciclo, principalmente os níveis de prostaglandinas, podem influenciar a dinâmica do ar nos pulmões e favorecer o surgimento do pneumotórax em períodos específicos do mês.


Teoria das perfurações diafragmáticas


Algumas mulheres apresentam
pequenas aberturas no diafragma. Essas falhas estruturais podem permitir a passagem de ar durante a menstruação, levando ao pneumotórax.


Quais são os sintomas do pneumotorax catamenial?


Os sintomas tendem a aparecer nos dias que
antecedem ou coincidem com o início do ciclo menstrual. A intensidade varia muito, indo de desconforto leve até quadros agudos.


Sinais mais comuns:


  • Dor torácica súbita
  • Falta de ar
  • Sensação de pressão ou aperto no peito
  • Respiração acelerada
  • Tosse seca
  • Repetição dos sintomas a cada ciclo


Em situações mais graves, o pulmão pode colapsar de forma significativa, o que caracteriza uma emergência médica.


Como é feito o diagnóstico?


Como se trata de uma condição incomum e frequentemente subdiagnosticada, a identificação correta exige atenção ao
padrão cíclico e exames adequados. Muitas pacientes enfrentam diversos episódios até que a relação com o período menstrual seja reconhecida.


Exames utilizados:


  • Radiografia de tórax
  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética para avaliação do diafragma
  • Videotoracoscopia em casos selecionados
  • Avaliação ginecológica para investigar endometriose


A colaboração entre ginecologia e cirurgia torácica é fundamental, já que a condição costuma envolver tanto alterações respiratórias quanto hormonais.


Quais são os tratamentos disponíveis?


O tratamento envolve duas frentes: controlar o pneumotórax e lidar com a possível presença de endometriose torácica. Por isso, a abordagem multidisciplinar é a mais indicada.


Tratamento do pneumotórax agudo


Inclui medidas imediatas para
remover o ar acumulado na cavidade pleural e restaurar o funcionamento do pulmão. Em alguns casos pequenos e estáveis, a observação pode ser suficiente. Em quadros mais relevantes, a drenagem torácica é necessária.


Tratamento definitivo


As opções variam conforme a causa identificada e a frequência dos episódios.


  • Cirurgia vídeo assistida para localizar e tratar áreas afetadas
  • Ressecção de implantes endometrióticos
  • Correção de perfurações no diafragma
  • Pleurodese quando há risco elevado de recorrência


Terapia hormonal


A terapia hormonal
reduz o estímulo sobre o tecido endometrial e diminui a probabilidade de novos episódios.


É recomendado o uso de terapias hormonais em casos de endometriose extrapelviana, que incluem os quadros torácicos.


Risco de recorrência


Mesmo com tratamento adequado, o pneumotorax catamenial pode retornar. A literatura médica aponta índices de recorrência entre
20 e 30 por cento, variando de acordo com a técnica utilizada e com a presença de endometriose.


Como reduzir o risco


  • Tratar o pneumotórax de forma completa;
  • Investigar e tratar endometriose pélvica e torácica;
  • Avaliar terapia hormonal contínua ou temporária;
  • Manter acompanhamento regular com especialistas.


Importância do diagnóstico precoce


Entender o
padrão cíclico é um dos fatores mais importantes para evitar episódios repetidos. O reconhecimento precoce acelera o tratamento e reduz o impacto da doença.


Por que isso faz diferença


  1. Diminui a chance de colapsos pulmonares recorrentes
  2. Reduz o risco de complicações respiratórias
  3. Melhora a qualidade de vida
  4. Aumenta a efetividade do tratamento da endometriose


Perguntas frequentes


  • O que é o pneumotorax catamenial e por que ele acontece durante o período menstrual?

    O pneumotorax catamenial é um tipo de pneumotórax que surge até 72 horas antes ou depois da menstruação. Ele ocorre principalmente devido à presença de endometriose torácica ou a variações hormonais que afetam o diafragma e a pleura nesse período.


  • O pneumotorax catamenial é comum?

    Não. Ele representa cerca de 5 a 10 por cento dos pneumotórax em mulheres. Apesar de raro, é importante reconhecer o padrão cíclico para evitar recorrências.

  • Quais são os sintomas que podem indicar pneumotorax catamenial?

    Os sintomas incluem dor súbita no peito, falta de ar, sensação de pressão torácica, respiração acelerada, tosse seca e piora repetitiva dos sinais próximos da menstruação.


  • O pneumotorax catamenial tem relação com endometriose?

    Sim. A associação é muito forte. A endometriose pode atingir o tórax em até um por cento dos casos, causando perfurações diafragmáticas e entrada de ar na pleura.


  • Como é feito o diagnóstico do pneumotorax catamenial?

    O diagnóstico envolve avaliação clínica, radiografia, tomografia, ressonância do diafragma e, em alguns casos, videotoracoscopia. A parceria entre ginecologia e cirurgia torácica é essencial para identificar corretamente a causa.

  • Existe tratamento definitivo para o pneumotorax catamenial?

    Sim. A abordagem pode incluir cirurgia vídeo assistida para tratar lesões, correção de perfurações no diafragma, remoção de focos de endometriose e, em casos recorrentes, pleurodese. Terapias hormonais também podem ser recomendadas.

  • A terapia hormonal ajuda a prevenir novos episódios?

    Ajuda sim. Ela reduz o estímulo sobre o tecido endometrial, diminuindo a chance de novos episódios, sendo uma abordagem recomendada em endometriose extrapelviana.

  • O pneumotorax catamenial pode voltar mesmo após tratamento?

    Pode. Estudos mostram taxas de recorrência entre 20 e 30 por cento. Por isso, tratar o pneumotórax sozinho não é suficiente. É essencial investigar e tratar a endometriose.


  • Quando devo procurar um cirurgião torácico ou ginecologista?

    Procure avaliação se os sintomas respiratórios surgirem repetidamente próximos ao período menstrual ou se houver dor torácica súbita associada ao ciclo. A avaliação precoce facilita o diagnóstico.


  • O pneumotorax catamenial pode ser grave?

    Sim. Em alguns casos, pode causar colapso pulmonar importante e exigir atendimento imediato. Mesmo quadros leves precisam de investigação, porque o padrão repetitivo indica uma condição que não deve ser ignorada.


  • O pneumotorax catamenial pode ocorrer mesmo sem diagnóstico prévio de endometriose pélvica?

    Sim. Muitas pacientes têm endometriose torácica sem sintomas ginecológicos evidentes. A ausência de diagnóstico prévio não exclui a possibilidade da forma torácica da doença.


  • Existe relação entre a intensidade do fluxo menstrual e o risco de pneumotorax catamenial?

    Não de forma direta. O que influencia é a resposta hormonal do organismo e a presença de tecido endometrial fora do útero, independentemente do volume do fluxo.


  • As pequenas perfurações no diafragma cicatrizam espontaneamente após o episódio?

    Em geral, não. As perfurações costumam persistir e podem causar novos episódios se não forem corrigidas cirurgicamente quando necessário.


  • A terapia hormonal sozinha é suficiente para evitar novos episódios?

    Nem sempre. Embora reduza as chances de recorrência, muitas pacientes precisam de combinação entre tratamento cirúrgico e hormonal para obter melhor controle.


  • O pneumotorax catamenial pode ocorrer em mulheres que já fizeram histerectomia?

    Pode. A retirada do útero não elimina o tecido endometrial que já está implantado na pleura ou no diafragma, portanto o quadro pode persistir.



Cirurgia torácica em São Paulo | Dra. Letícia Lauricella


O pneumotórax catamenial é uma condição rara que
exige atenção especial, principalmente pela sua relação com a endometriose torácica e pelo risco de recorrência. Reconhecer o padrão de sintomas ligados ao ciclo menstrual, investigar corretamente e buscar acompanhamento com profissionais experientes são passos fundamentais para um tratamento eficaz.


Caso esteja enfrentando sintomas que surgem repetidamente durante o período menstrual,
pode ser o momento de procurar avaliação especializada.


Se você está em busca de um especialista em cirurgia torácica, sou a
Dra. Leticia Lauricella, formada em Medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e especialista em Cirurgia Torácica pela  Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Sou membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT) e proctor de cirurgia torácica robótica no Einstein Hospital Israelita. Atuo em hospitais em São Paulo e tenho como objetivo oferecer aos meus pacientes as opções mais avançadas e eficazes de tratamento, ao mesmo tempo em que busco contribuir para o avanço da ciência médica por meio da pesquisa. Para mais informações navegue no site ou para agendar uma consulta clique aqui.


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