Pneumotórax espontâneo catamenial no período menstrual
O pneumotorax catamenial é uma condição rara que ocorre em mulheres em idade reprodutiva e está diretamente relacionada ao ciclo menstrual. Embora seja incomum, esse tipo de pneumotórax exige investigação cuidadosa, pois pode estar associado à endometriose torácica, uma forma de endometriose que atinge o tórax.
Neste artigo você vai entender como a condição se manifesta, por que ela ocorre, como é diagnosticada e quais são as opções de tratamento.
Continue a leitura
para esclarecer suas dúvidas e entender quando é importante procurar um especialista.
O que é o pneumotorax catamenial?
O pneumotorax catamenial é um tipo específico de pneumotórax que acontece em um intervalo de até
72 horas antes ou depois do início da menstruação. Entre mulheres jovens que apresentam pneumotórax espontâneo, estima-se que cerca de 5% a 10% dos casos estejam relacionados ao ciclo menstrual — o chamado pneumotórax catamenial — embora essa proporção pareça ser ainda maior em séries de casos de centros especializados em endometriose.”
Essa condição tem relação direta com a
endometriose torácica, que pode atingir o diafragma, a pleura e, em situações menos comuns, o próprio pulmão.
Assista:
Características principais
O pneumotórax catamenial atinge predominantemente o
lado direito do tórax, costuma se
repetir
em vários ciclos menstruais, pode vir acompanhado de dor torácica que se intensifica próximo da menstruação, além disso, afeta principalmente mulheres entre
20 e 40 anos.
Por que o pneumotorax catamenial ocorre?
Embora já bem descrito na literatura médica, o pneumotorax catamenial ainda não tem um mecanismo único e completamente definido. As explicações mais aceitas envolvem alterações hormonais, características anatômicas e a presença de tecido semelhante ao endométrio na cavidade torácica.
Teoria da endometriose torácica
É a hipótese mais forte. Um tecido semelhante ao endometrial pode se
implantar no diafragma ou na pleura. Durante a menstruação, esse tecido responde aos hormônios da mesma forma que aconteceria no útero, o que pode gerar
micro lesões e permitir a entrada de ar no espaço pleural.
A endometriose extrapelviana, apesar de rara, pode acometer o tórax em até um por cento das pessoas com endometriose.
Assista:
Teoria hormonal
As
variações hormonais típicas do ciclo, principalmente os níveis de prostaglandinas, podem influenciar a dinâmica do ar nos pulmões e favorecer o surgimento do pneumotórax em períodos específicos do mês.
Teoria das perfurações diafragmáticas
Algumas mulheres apresentam
pequenas aberturas
no diafragma. Essas falhas estruturais podem permitir a passagem de ar durante a menstruação, levando ao pneumotórax.
Quais são os sintomas do pneumotorax catamenial?
Os sintomas tendem a aparecer nos dias que
antecedem ou coincidem com o início do ciclo menstrual. A intensidade varia muito, indo de desconforto leve até quadros agudos.
Sinais mais comuns:
- Dor torácica súbita
- Falta de ar
- Sensação de pressão ou aperto no peito
- Respiração acelerada
- Tosse seca
- Repetição dos sintomas a cada ciclo
Em situações mais graves, o pulmão pode colapsar de forma significativa, o que caracteriza uma emergência médica.
Como é feito o diagnóstico?
Como se trata de uma condição incomum e frequentemente subdiagnosticada, a identificação correta exige atenção ao
padrão cíclico e exames adequados. Muitas pacientes enfrentam diversos episódios até que a relação com o período menstrual seja reconhecida.
Exames utilizados:
- Radiografia de tórax
- Tomografia computadorizada
- Ressonância magnética para avaliação do diafragma
- Videotoracoscopia em casos selecionados
- Avaliação ginecológica para investigar endometriose
A colaboração entre ginecologia e cirurgia torácica é fundamental, já que a condição costuma envolver tanto alterações respiratórias quanto hormonais.
Quais são os tratamentos disponíveis?
O tratamento envolve duas frentes: controlar o pneumotórax e lidar com a possível presença de endometriose torácica. Por isso, a abordagem multidisciplinar é a mais indicada.
Tratamento do pneumotórax agudo
Inclui medidas imediatas para
remover o ar acumulado na cavidade pleural e
restaurar o funcionamento
do pulmão. Em alguns casos pequenos e estáveis, a observação pode ser suficiente. Em quadros mais relevantes, a drenagem torácica é necessária.
Tratamento definitivo
As opções variam conforme a causa identificada e a frequência dos episódios.
- Cirurgia vídeo assistida para localizar e tratar áreas afetadas
- Ressecção de implantes endometrióticos
- Correção de perfurações no diafragma
- Pleurodese quando há risco elevado de recorrência
Terapia hormonal
A terapia hormonal reduz o estímulo sobre o tecido endometrial e diminui a probabilidade de novos episódios.
É recomendado o uso de terapias hormonais em casos de endometriose extrapelviana, que incluem os quadros torácicos.
Risco de recorrência
Mesmo com tratamento adequado, o pneumotorax catamenial pode retornar. A literatura médica aponta índices de recorrência entre
20 e 30 por cento, variando de acordo com a técnica utilizada e com a presença de endometriose.
Como reduzir o risco
- Tratar o pneumotórax de forma completa;
- Investigar e tratar endometriose pélvica e torácica;
- Avaliar terapia hormonal contínua ou temporária;
- Manter acompanhamento regular com especialistas.
Importância do diagnóstico precoce
Entender o
padrão cíclico é um dos fatores mais importantes para evitar episódios repetidos. O reconhecimento precoce acelera o tratamento e reduz o impacto da doença.
Por que isso faz diferença
- Diminui a chance de colapsos pulmonares recorrentes
- Reduz o risco de complicações respiratórias
- Melhora a qualidade de vida
- Aumenta a efetividade do tratamento da endometriose
Perguntas frequentes
O que é o pneumotorax catamenial e por que ele acontece durante o período menstrual?
O pneumotorax catamenial é um tipo de pneumotórax que surge até 72 horas antes ou depois da menstruação. Ele ocorre principalmente devido à presença de endometriose torácica ou a variações hormonais que afetam o diafragma e a pleura nesse período.
O pneumotorax catamenial é comum?
Não. Ele representa cerca de 5 a 10 por cento dos pneumotórax em mulheres. Apesar de raro, é importante reconhecer o padrão cíclico para evitar recorrências.
Quais são os sintomas que podem indicar pneumotorax catamenial?
Os sintomas incluem dor súbita no peito, falta de ar, sensação de pressão torácica, respiração acelerada, tosse seca e piora repetitiva dos sinais próximos da menstruação.
O pneumotorax catamenial tem relação com endometriose?
Sim. A associação é muito forte. A endometriose pode atingir o tórax em até um por cento dos casos, causando perfurações diafragmáticas e entrada de ar na pleura.
Como é feito o diagnóstico do pneumotorax catamenial?
O diagnóstico envolve avaliação clínica, radiografia, tomografia, ressonância do diafragma e, em alguns casos, videotoracoscopia. A parceria entre ginecologia e cirurgia torácica é essencial para identificar corretamente a causa.
Existe tratamento definitivo para o pneumotorax catamenial?
Sim. A abordagem pode incluir cirurgia vídeo assistida para tratar lesões, correção de perfurações no diafragma, remoção de focos de endometriose e, em casos recorrentes, pleurodese. Terapias hormonais também podem ser recomendadas.
A terapia hormonal ajuda a prevenir novos episódios?
Ajuda sim. Ela reduz o estímulo sobre o tecido endometrial, diminuindo a chance de novos episódios, sendo uma abordagem recomendada em endometriose extrapelviana.
O pneumotorax catamenial pode voltar mesmo após tratamento?
Pode. Estudos mostram taxas de recorrência entre 20 e 30 por cento. Por isso, tratar o pneumotórax sozinho não é suficiente. É essencial investigar e tratar a endometriose.
Quando devo procurar um cirurgião torácico ou ginecologista?
Procure avaliação se os sintomas respiratórios surgirem repetidamente próximos ao período menstrual ou se houver dor torácica súbita associada ao ciclo. A avaliação precoce facilita o diagnóstico.
O pneumotorax catamenial pode ser grave?
Sim. Em alguns casos, pode causar colapso pulmonar importante e exigir atendimento imediato. Mesmo quadros leves precisam de investigação, porque o padrão repetitivo indica uma condição que não deve ser ignorada.
O pneumotorax catamenial pode ocorrer mesmo sem diagnóstico prévio de endometriose pélvica?
Sim. Muitas pacientes têm endometriose torácica sem sintomas ginecológicos evidentes. A ausência de diagnóstico prévio não exclui a possibilidade da forma torácica da doença.
Existe relação entre a intensidade do fluxo menstrual e o risco de pneumotorax catamenial?
Não de forma direta. O que influencia é a resposta hormonal do organismo e a presença de tecido endometrial fora do útero, independentemente do volume do fluxo.
As pequenas perfurações no diafragma cicatrizam espontaneamente após o episódio?
Em geral, não. As perfurações costumam persistir e podem causar novos episódios se não forem corrigidas cirurgicamente quando necessário.
A terapia hormonal sozinha é suficiente para evitar novos episódios?
Nem sempre. Embora reduza as chances de recorrência, muitas pacientes precisam de combinação entre tratamento cirúrgico e hormonal para obter melhor controle.
O pneumotorax catamenial pode ocorrer em mulheres que já fizeram histerectomia?
Pode. A retirada do útero não elimina o tecido endometrial que já está implantado na pleura ou no diafragma, portanto o quadro pode persistir.
Cirurgia torácica em São Paulo | Dra. Letícia Lauricella
O pneumotórax catamenial é uma condição rara que
exige atenção especial, principalmente pela sua relação com a endometriose torácica e pelo risco de recorrência. Reconhecer o padrão de sintomas ligados ao ciclo menstrual, investigar corretamente e buscar acompanhamento com profissionais experientes são passos fundamentais para um tratamento eficaz.
Caso esteja enfrentando sintomas que surgem repetidamente durante o período menstrual,
pode ser o momento de procurar avaliação especializada.
Se você está em busca de um especialista em cirurgia torácica, sou a Dra. Leticia Lauricella, formada em Medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e especialista em Cirurgia Torácica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Sou membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT) e proctor de cirurgia torácica robótica no Einstein Hospital Israelita. Atuo em hospitais em São Paulo e tenho como objetivo oferecer aos meus pacientes as
opções mais avançadas e eficazes de tratamento, ao mesmo tempo em que busco contribuir para o avanço da ciência médica por meio da pesquisa. Para mais informações navegue no
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