Empiema pleural: quando é necessária cirurgia?
Por Dra. Letícia Lauricella, especialista em cirurgia torácica, CRM-SP 115832 e RQE 66992.
Quando é necessária cirurgia do empiema pleural?
A cirurgia no empiema pleural é necessária quando o tratamento clínico não consegue controlar a infecção. Isso costuma acontecer quando o pus está espesso, há formação de septações ou o pulmão não consegue se expandir adequadamente. Também é indicada quando a drenagem com tubo não funciona ou quando o quadro já está em fase mais avançada. Nesses casos, a cirurgia permite remover o material infeccioso e liberar o pulmão. A decisão é individualizada e baseada nos exames e na evolução clínica do paciente.
Introdução
O empiema pleural é uma condição que pode gerar dúvidas e preocupação, especialmente quando envolve a possibilidade de cirurgia. Trata-se de uma infecção no espaço pleural levando ao acúmulo de pus. Em alguns casos, o tratamento clínico é suficiente, mas em outros, a abordagem cirúrgica se torna necessária para resolver o problema.
Neste artigo, você vai entender o que é o empiema pleural, como ele se desenvolve, quais são os sinais de alerta e, principalmente, em quais situações a cirurgia é indicada.
Continue a leitura para compreender melhor esse quadro e suas opções de tratamento.
O que é empiema pleural
O empiema pleural é uma infecção em que ocorre acúmulo de pus
dentro do espaço pleural (região localizada entre o pulmão e a parede torácica).
Como ele se desenvolve
Em condições normais, esse espaço contém uma pequena quantidade de líquido que facilita o movimento dos pulmões durante a respiração. Quando há infecção, esse líquido pode se transformar em uma
secreção espessa, dificultando a expansão pulmonar.
Relação com outras condições
O empiema pleural geralmente aparece como complicação de situações como:
- Pneumonia
- Infecções pulmonares
- Cirurgias no tórax
- Traumas torácicos
Fases do empiema pleural
O empiema pleural evolui ao longo de etapas, e isso interfere diretamente na forma de tratamento.
Fase inicial
- Presença de líquido mais fluido
- Menor carga infecciosa
- Melhor resposta ao tratamento clínico
Fase intermediária
- Formação de secreção mais espessa
- Surgimento de compartimentos internos no líquido
- Dificuldade para drenagem adequada
Fase avançada
- Formação de uma camada espessa envolvendo o pulmão
- Limitação da expansão pulmonar
- Maior chance de necessidade de cirurgia
Assista ao vídeo: O que são doenças da Pleura?
Sintomas do empiema pleural
Os sintomas podem variar de acordo com a evolução do quadro sendo os mais comuns:
- Febre persistente
- Dor no tórax
- Falta de ar
- Tosse
- Cansaço
Tendo como
sinais de alerta
a piora progressiva da respiração, dor ao respirar e a ausência de melhora com antibióticos.
Esses sinais indicam a necessidade de reavaliação médica.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do empiema pleural envolve análise clínica e exames complementares.
Os exames de imagem costumam ser a radiografia de tórax e a tomografia computadorizada.
A
tomografia
permite avaliar melhor a extensão da infecção e identificar áreas compartimentadas.
Avaliação do líquido pleural
A
drenagem
do conteúdo permite analisar:
Presença de secreção purulenta;
Tipo de bactéria envolvida;
Intensidade do processo inflamatório.
Essas informações ajudam a orientar o tratamento.
Tratamento do empiema pleural
A abordagem
depende da fase
da doença e das condições do paciente.
Nas fases iniciais, realiza-se o
tratamento clínico, que pode incluir o uso de antibióticos, a drenagem através de tubo torácico, além disso, fisioterapia respiratória.
Quando o tratamento clínico não é suficiente
Em algumas situações, a resposta ao tratamento inicial não é adequada.
Isso pode ocorrer quando a secreção está mais espessa, existem múltiplas áreas isoladas dentro da cavidade e há formação de membranas que impedem a expansão do pulmão.
Quando a cirurgia é necessária no empiema pleural
A cirurgia passa a ser indicada quando o tratamento clínico não consegue resolver o quadro, tendo como objetivos a remoção do material infeccioso, permitir que o pulmão volte a expandir, e reduzir a inflamação local.
Principais indicações:
- Falha na drenagem com tubo torácico
- Presença de múltiplas divisões no líquido
- Espessamento importante da pleura
- Dificuldade de expansão pulmonar
Tipos de cirurgia para empiema pleural
A escolha do procedimento depende do estágio da doença.
A
videotoracoscopia
é uma técnica menos invasiva que permite fazer a limpeza da cavidade e permite uma recuperação mais rápida.
Enquanto a
decorticação pulmonar possibilita a retirada da camada fibrosa ao redor do pulmão, facilitando a reexpansão pulmonar. É um procedimento indicado em fases mais avançadas.
Benefícios da cirurgia quando indicada
Quando bem indicada, a cirurgia pode trazer melhora significativa, como:
- Alívio da falta de ar
- Controle da infecção
- Redução dos sintomas
- Recuperação da função pulmonar
A importância do diagnóstico precoce
Identificar o empiema pleural nas fases iniciais pode evitar a necessidade de cirurgia.
Com um diagnóstico precoce o tratamento é menos invasivo, existe um menor tempo de internação e a recuperação é mais rápida.
Quando procurar avaliação médica
Alguns sinais indicam a necessidade de avaliação especializada.
Procure atendimento
se houver:
- Febre persistente após pneumonia
- Dor no peito ao respirar
- Falta de ar progressiva
- Tosse com secreção
A investigação precoce pode mudar a evolução do quadro e facilitar o tratamento.
Perguntas frequentes
O que é empiema pleural?
O empiema pleural é uma infecção no espaço entre o pulmão e a parede torácica, onde ocorre acúmulo de pus, dificultando a expansão do pulmão e a respiração.
Quais são os sintomas mais comuns do empiema pleural?
Febre persistente, dor no peito, falta de ar, tosse e cansaço são os sintomas mais frequentes.
Como é feito o diagnóstico do empiema pleural?
O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de imagem como tomografia e análise do líquido pleural obtido por drenagem.
Quais exames ajudam a decidir se a cirurgia é necessária?
A tomografia do tórax é essencial para avaliar a extensão da infecção e identificar áreas que dificultam a drenagem, orientando a decisão cirúrgica.
A drenagem com tubo sempre resolve o empiema pleural?
Não. Quando o líquido está espesso ou dividido em compartimentos, a drenagem pode não ser suficiente, sendo necessária intervenção cirúrgica.
A presença de septações muda completamente o tratamento?
Sim. As septações dificultam a drenagem do líquido e são um dos principais fatores que indicam a necessidade de procedimentos mais invasivos.
Quais tipos de cirurgia podem ser realizados no empiema pleural?
Os principais são a videotoracoscopia, que é menos invasiva, e a decorticação pulmonar, indicada em casos mais avançados.
A cirurgia para empiema pleural é segura?
Sim, quando bem indicada e realizada por equipe especializada, a cirurgia costuma ter bons resultados e melhora significativa dos sintomas.
Quanto tempo leva a recuperação após a cirurgia?
A recuperação varia conforme o caso, mas geralmente é mais rápida em procedimentos minimamente invasivos e depende da condição clínica do paciente.
É possível evitar cirurgia no empiema pleural?
Sim, em muitos casos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado nas fases iniciais aumentam as chances de resolução sem necessidade cirúrgica.
Cirurgia torácica em São Paulo | Dra. Letícia Lauricella
O empiema pleural é uma condição que exige atenção e tratamento adequado para evitar complicações.
Embora nem todos os casos necessitem de cirurgia, ela se torna fundamental quando há falha do tratamento clínico ou quando a doença evolui para fases mais avançadas. Entender os sinais de alerta e buscar avaliação médica no momento certo é essencial para um bom desfecho. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas persistentes após uma infecção pulmonar, já considerou investigar a possibilidade de um empiema pleural com um especialista?
Se você está em busca de um especialista em cirurgia torácica, sou a Dra. Leticia Lauricella, formada em Medicina na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e especialista em Cirurgia Torácica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Sou membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT) e proctor de cirurgia torácica robótica no Einstein Hospital Israelita. Atuo em hospitais em São Paulo e tenho como objetivo oferecer aos meus pacientes as
opções mais avançadas e eficazes de tratamento, ao mesmo tempo em que busco contribuir para o avanço da ciência médica por meio da pesquisa. Para mais informações navegue no
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